Por Simone Moura.

 

Não faz muito tempo que eu fiz uma pergunta (errada) para uma pessoa próxima a mim. Digo, que foi errada, porque assim como o filósofo e escritor italiano Umberto Eco certa vez falou: “nem todas as verdades são para todos os ouvidos”. Bem, o Umberto estava de fato certo. Ao responder apenas a verdade para essa pessoa, ele se irritou bastante e se justificou por mais de 30 minutos até se cansar e irmos embora. E achoque na maioria das vezes quando alguém nos pedem uma opinião, querem na verdade que concordemos com elas. É complicado discordar de alguém. E se tratando de dinheiro ou poder, ( ou as duas coisas juntas) aí a coisa fica mais complexa ainda.   

Gostamos do poder muito mais do que precisamos de dinheiro. O dinheiro (apenas) compra coisas, mas o poder é sedutor. Ele nos confere títulos, passes, vouchers, “respeito”, empregados, as melhores mesas dos restaurantes badalados, convite das festas dos “famosos” e muitos puxa-sacos de plantão. O poder nos faz sentir grandes, importantes, infalíveis e insubstituíveis. Esse é o caos do poder. Ele cega e nos leva para um imenso, escuro e solitário abismo. E essa pessoa quando me pediu um conselho, não estava preparada para ouvir o que eu tinha a dizer. Afinal ele ganha bem e tem muito poder na empresa que trabalha (que diga-se de passagem é um grande laboratório da maldade corporativa e coloca seus funcionários para decorar a missão e os valores da marca no primeiro dia de trabalho como se isso fosse autêntico , promovendo um ambiente de competitividade auto- destrutivo). Como mudar nossa percepção sobre o dinheiro e o poder? Como aprender a dizer não para o que nos faz mal ? Como conseguir fazer o que amamos e ganhar dinheiro ? Existe uma chance para todos nós. É preciso buscar uma razão de ser para a vida e não somente ter.

É preciso que a gente aprenda a se reconectar com a gente mesmo para obtermos um significado maior a toda essa jornada chamada vida pessoal e profissional.

É muito importante que possamos entender que vivemos tempos onde uma nova geração busca por outras respostas. Essa geração irá trabalhar e produzir sob outras motivações, e por isso é importante começar pelo porquê ? e não pelo o quê ?. Entender que é possível trabalhar e viver com um propósito maior e verdadeiro fará muita diferença nos resultados financeiros das empresas – (isso sem falar no mais importante): a sanidade mental das pessoas e a satisfação de fazer o que se ama fazer.

É claro que o dinheiro é necessário. Ninguém vive do ar ou da luz. Mas começar aceitando que podemos ser o protagonista e o único responsável pelas nossas escolhas – é uma revolução e tanto que gera grandes impactos e mudanças. As organizações precisam de um “break”. Sair da “caixa”, não significa criar uma campanha publicitária bonita que renda prêmios. O olhar corporativo necessita ser mais profundo – de dentro pra fora – com foco nas pessoas – (e em tempos de inovação tecnológica, inteligência artificial e robótica), serão as pessoas as catalizadoras das mais profundas mudanças que estar por vir no mundo. As campanhas de incentivo e remuneração variável não serão capazes de reter os melhores talentos e nessa nova jornada, tudo pode acontecer. Fazer o que se ama, com propósito pode até lhe ofertar menos dinheiro, e talvez o seu “poder” possa acabar , mas você pode descobrir os melhores dias de sua vida que ainda lhe restam.

Quanto ao meu amigo. Ele não entendeu a mensagem. Mas dois meses depois, foi demitido após 25 anos fazendo a mesma coisa: sendo infeliz, tendo poder e ganhando dinheiro.