Por:  Simone Moura.
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Que todo mundo foi pego de “calças curtas”, foi. Se a China esqueceu de avisar ao resto do mundo que o mundo inteiro iria parar, não sei. Se tudo aconteceu rápido demais e estávamos prestando atenção apenas nos nossos pequenos problemas, é uma hipótese. E se tudo isso, foi criado em laboratório para algum grande grupo empresarial ficar ainda mais rico e poderoso? Quem vai saber ? O fato é que a COVID-19 veio para nos ensinar muitas coisas, e só vai aprender quem tiver visão de futuro e for de fato um empreendedor diferenciado e um líder de alta capacidade cooperativa e de grande sabedoria e gestão participativa.

 


Esse (longo) artigo não tem a mínima pretensão de repetir o que os analistas já vem dizendo nas últimas semanas. O discurso deles em sua maioria tem ficando repetitivo demais. Nós somos inteligentes o suficiente para entender que os impactos dessa pandemia vai durar muito tempo e o mundo sofrerá as consequências dessa tragédia por diferentes ângulos e intensidade. É preciso reconhecer que viveremos uma grande recessão, bem pior do que o ano de 2001 ( após os ataques 11 de Setembro nos Estados Unidos com consequências mundiais) e a crise financeira que abalou o mundo em 2008. O que estamos vivendo é uma ruptura de todo o sistema que conhecemos e chamamos de mercado e economia. A terceira guerra mundial começou e temos que refletir sobre como encontrar novos caminhos e possibilidades.

 


Nenhum grande especialista conseguirá determinar se estaremos melhores ou piores daqui 3, 4, 5, 6 meses ou daqui a 5 ou 10 anos. Ninguém sabe! Dados recentes do banco mundial revelou que a economia do planeta em 2020 sofrerá perdas de mais de US$ 1 trilhão. Sejamos honestos uns com os outros: o que está acontecendo é inimaginável. Dias atrás éramos todos “normais”. Mas agora estamos diante de um inimigo invisível, que corre na frente de todos nós. De fato esse inimigo é angustiante, dá medo e tem conseguido quebrar negócios, fechar empresas, travar a economia e dilacerar carreiras, sonhos, metas e projetos.

A Covid-19 é cruel. Mata tudo e pode matar todos.

 

Voltando ao “ éramos normais” refiro-me ao modos operandi que as empresas e marcas (em sua maioria) estavam acostumadas a viver antes da COVID – 19. Aquela grande massa empresarial formada por “chefes” acostumados ao modelo padrão do mercado onde através de uma campanha publicitária se vendia um produto ou serviço e adotavam uma proposição de valor (quase sempre igual ao de seu concorrente), e assim, iam gerenciando seus negóciosbaseado no mundo capitalista. E eu não estou me referindo as marcas que apesar de todas as adversidades, vivem seu propósito 100%, possuem um posicionamento de mercado claro, verdadeiro , atitudinal e de compromisso com as pessoas e com a sociedade em geral. Também não me refiro as micro  empresas que em sua maioria vivem na dependência de poucos clientes, e às vezes mal se sustentam. (esses são os bravos e corajosos empreendedores que por diversas vezes são bem mais criativos, objetivos, sinceros e bem posicionados no mercado do que as empresas médias e as grandes corporações).

 

Estou falando de empresas que ao optar por uma gestão deficitária, ( que se arrasta por anos) por falta de visão de futuro, de planejamento , falta de gestão de branding, de investimentosem marketing sério e de inteligência de mercado e por até hoje não terem a mínima ideia sobre seu propósito maior e compromisso no mundo, acumulam prejuízos e insistem em desenvolver e aprovar ações desastrosas. Todavia, por razões que só FREUD explicaria , tiveram sorte em permanecer “ vivas” atuando no mercado até aqui.

 


Estou falando de empresas que preferiram empregar quem não entende o que faz, mas por ser o primo, o colega de faculdade, o menino engraçadinho ou a moça mais bonita do bairro ou o puxa saco de plantão, ou ainda aquele cidadão que diz o que o chefe quer ouvir, continuam mantendo cargos de “chefia” sem entender absolutamente nada sobre liderança e levando a empresa para buracos cada vez mais escuros e profundos. Quer mais ? Um grande número de empresas que perderam oportunidades de se reinventar (e muito dinheiro por ter feito escolhas erradas) , seja pelo ego exacerbado, pela arrogância empresarial, por acreditarem que são capitalizadas o suficiente e que nunca quebrariam, por terem linhas generosas de crédito que poderão pagar a perder de vista, ou por pura teimosia e por querer mostrar “sua força” frente a concorrência, optaram em permanecer na “zona do conforto” porque acreditaram que no “time que está ganhando não se mexe” .

 

 

Aí entra em cena o CORONAVÍRUS e nos impõe o isolamento social.  E a maioria dessas   empresas que me referi, agiu rápido para se isolarem.  Aliás, nunca foram tão eficientes e rápidas em desaparecer do mapa. Elas simplesmente esqueceram seu posicionamento de mercado e tudo que foi construído e anunciando como diferenciais competitivos durante anos de performance e atividade.  Muitas delas ainda não sabem, mas ao tomarem essa decisão, anunciaram a sua própria sentença de morte quando FECHARAM SUAS PORTAS  da maneira que fizeram.

 

Elas lacraram tudo com grades, chaves e cadeados e se isolaram do mundo e esqueceram de continuar conversando com as pessoas – (aquelas pessoas que durante anos compraram seus produtos e adquiriram seus serviços). Essas empresas mandou embora seus melhores talentos ( talvez porque tivessem os mais altos salários) e seus prestadores de serviços mais estratégicos e não deram a mínima para o quanto eles contribuíram com a marca. Elas cortaram investimentos vitais a sua sobrevivência. Muitas optaram por férias coletivas e correram para se beneficiar dos incentivos governamentais, esperando tudo voltar ao “ normal “ porque acreditam que como um passe de mágica ao estilo “Harry Porter” reaparecerão “em breve” e continuarão no lugar onde sempre gostaram de estar: na sua zona do conforto. Só que isso não vai acontecer. Nada vai melhorar. Tudo vai mudar.
 

 

Simon Sinek , professor e doutor em liderança e propósito, autor da metodologia Círculo Dourado ou “ The Golden Circle” afirma em seu livro “Comece pelo Porque” que 100% dos seus clientes são pessoas, 100% dos seus funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios..

E como eu sempre digo e reforço aos meus parceiros e clientes que MARCA não é sobre fazer dinheiro ou sucesso, MARCA é sobre TRANSFORMAR a vida de alguém. E nesse momento tão difícil quase todas as marcas foram embora. 

Poucas delas tiveram coragem de continuar meioà pandemia. Poucas marcas cumpriram seu papel de SER MARCA. Mas as que tiveram essa postura estão marcando PRESENÇA e gerando VALOR E RELEVÂNCIA bem como ENGAJAMENTO e laços afetivos junto as pessoas. Essas marcas estão ratificando sua ESSÊNCIA e justificando seus PORQUÊS e seu PROPÓSITO. Elas estão defendendo suas crenças, seu posicionamento de mercado e trabalhando ininterruptamente para reconstruir o caminho, mudar a direção da bússola e traçar estratégias inovadoras, assertivas, sustentáveis (e muitas delas estão encontrando respostas disruptivas), através da implementação de gabinetes de crise, planos de contingência e muita ousadia.

 


Agora mais do que nunca é preciso OUSAR. É preciso desafiar o STATUS QUO . Quem não fizer isso agora, não volta para o “jogo” de novo. Não haverá mais o mundo como conhecemos. Não haverá mais a zona de conforto e nada será mais “normal”. O isolamento social impediu as empresas de se “locomoverem”, mas isso não quer dizer que sua marca deveria ter ido se trancar em casa e morrer. Aliás alguns empresários estão de férias: Isolaram-se nas casas de praia, de campo, da fazenda e nesse momento estão perdendo recall e reputação de marca.

 

Não permita viver o isolamento social sem produzir. É a hora da faxina. Escolha seu melhor time, mande embora o que é dispensável e o que lhe causa maior contratempo e prejuízo. Trabalhe mais do que nunca, crie uma rotina de reuniões virtuais ( o mundo online ficou cada vez mais tangível) com regras claras e objetivos estratégicos com prazos a serem alcançados. Realinhe seu negócio e desenvolva as competências de seus líderes. Faça isso agora, caso contrário, você também vai experimentar um outro tipo de isolamento , o cerebral. Se parar de pensar e produzir, você vai ser exterminado.

 

Seremos testemunhas de uma grande mudança. Arrisco dizer que a maior mudança em 100 anos de história mundial. O comportamento de consumo e os hábitos de compra e de convivência social sofrerão drásticas mudanças.  Os setores terão que repaginar suas estruturas e seus modelos de negócios. A internet ganhará novas dimensões e aplicações e todos precisarão repensar e reavaliar o que fomos até agora - e o que seremos daqui para frente. Não tem como fugir. Vamos viver uma nova cadeira produtiva com novas demandas e ofertas.  Os serviços ganharão significados novos, o varejo físico será cada vez mais enxuto  e terá que ser essencial. Isso faz com que segmentos de shoppings centers por exemplo,  necessitem realinhar seu mix e entender que o formato que vinha sendo adotado há décadas como business, vai morrer.

 

O mercado online irá se reinventar e teremos cada vez mais uma tecnologia capaz de alcançar novos modais e prestarão serviços cada vez mais complexos. A internet não só terá voz, cheiro, cor e forma como passará a fidelizar e gerar engajamentos com seus consumidores mais próximos e verdadeiros. ( quer um exemplo? preste atenção nos bancos digitais. Eles estão dando show). A indústria vai ser obrigada a capacitar cada vez mais seus funcionários . Estamos na era da robótica, da inteligência artificial e a ainda empregamos “analfabetos”. Para que as indústrias brasileiras continuem de pé, é necessário ser corresponsável com a educação continuada de seus colaboradores. A hotelaria (que ainda não acordou em sua maioria) e continua vendendo suas tarifas pela classificação de sua categoria, vai ter que remodelar toda a sua mentalidade de vendas. As pessoas cada vez mais irão buscar experiências únicas e verdadeiras e para tanto não teremos mais espaços para amadorismo. Será necessário a contratação de pessoal altamente qualificado para o atendimento e prestação de serviços nesse setor. Não vai adianta anunciar que o seu hotel é 4 estrelas e disponibilizar para seu
hóspede um quarto cheirando à mofo, um ar condicionado barulhento ou um café frio no buffet da manhã. As pessoas não aceitarão mais isso. As pessoas ficarão mais exigentes e está na hora de trocar o conceito de hospedagem por hospitalidade. Os espaços compartilhados em centros comerciais, shoppings, hotelaria, restaurantes também deverão ser revisitados. O delivery ( que está salvando alguns setores da economia) deverá rever sua infra-estrutura e
qualificação de seus funcionários e toda a cadeia logística urgentemente). De que adianta eu poder pedir em um clique e esperar 1:30h para receber minha comida gelada, sem graça e muitas das vezes entregue por um motoboy mal educado ? O que quero dizer com tudo isso é que muita coisa não vai se sustentar sendo tão ruim e “ meia boca” como tem sido.

 

O dinheiro vai ser cada vez mais escasso, e vamos comprar fazendo contas da melhor relação custo x benefício. Vamos buscar a EXCELÊNCIA.  O amadorismo e enganação que muitas marcas até hoje insistiu em fazer, ACABOU. A quantidade de operações em sua maioria irá diminuir e somente as marcas que forem posicionadas e fizerem um serviço exemplar irão ficar no mercado. Não é uma questão de escolha. É o que será.

 

Estamos vivendo a terceira onda do consumo e da modernização, Segundo Alvin Toffer , visionário, autor, professor americano que definiu  muito bem ainda na década de 60, que o mundo caminhava em ritmo alucinante e viveríamos um “ choque de futuro”. Pois de fato o choque aconteceu. Estamos na era do conhecimento. Da economia do conhecimento, na era da informação, na era do prosumidor. E ainda tem muita gente fazendo negócios como se estivesse vivendo no período da revolução industrial (ou seja, no século 18).  Não adianta você ficar preso à sua CULTURA empresarial (porque segundo o professor e doutor da administração moderna Peter Drucker),  “a cultura devora a  estratégia de sua empresa no café da manhã “ . Por isso, você não deve ter medo agora e nem tão pouco continuar teimando em não mudar.  Não adianta sua empresa ficar presa no planejamento estratégico definido há 2 anos atrás. O que você precisa é produzir nesse momento com seu melhor time, seus melhores parceiros, um planejamento de cenários. Não se iluda! Acorde! De acordo ainda com Peter Drucker, o que pode ser medido, pode ser melhorado, e se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho.

 

O dinheiro vai ser cada vez mais escasso, e vamos comprar fazendo contas da melhor relação custo x benefício. Vamos buscar a EXCELÊNCIA. O amadorismo e a enganação que muitas marcas até hoje insistiu em fazer e ser, tem seus dias contados. A quantidade de operações em sua maioria vai diminuir e somente as marcas que forem posicionadas e fizerem um serviço exemplar irão ficar no mercado. Não é uma questão de escolha. É o que vem por aí. Estamos vivendo a terceira onda do consumo e da modernização, Segundo Alvin Toffer, visionário , autor, professor americano que definiu muito bem (ainda na década de 60), que o mundo caminhava em ritmo alucinante e viveríamos um “ choque de futuro”. Pois de fato esse “choque” aconteceu.

 

Estamos na era do conhecimento. Da economia do conhecimento, na erada informação, na era do prosumidor . E ainda tem muita gente fazendo negócios como se estivesse vivendo no período da revolução industrial (ou seja no século 18). Não adianta você ficar preso à sua CULTURA empresarial ( porque segundo o professor e doutor da administração moderna Peter Drucker), “a cultura devora a estratégia de sua empresa no café da manhã “ . Por isso, você não deve ter medo agora e nem tão pouco continuar teimando em não mudar. Não adianta sua empresa ficar presa no planejamento estratégico definido há 2 anos atrás. O que você precisa é produzir nesse momento com seu melhor time e seus melhores parceiros um planejamento de cenários. Não se iluda! Acorde. De acordo ainda com Peter Drucker , o que pode ser medido, pode ser melhorado, e se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho. E ainda citando Alvin Toffler ( livro de 1970, O Choque do futuro), “ a mudança não é simplesmente necessária para a vida – ela á a vida”.

 

Por isso, meu amigo empresário NÃO DESISTA. O SEU “MINDSET” precisa ser ativado. A economia da transformação vai exigir de seu negócio um esforço maior em entender o comportamento do mundo e das pessoas. Você não vai precisar só adaptar o que você vem fazendo. Você vai ter que morrer para recomeçar. Aquilo que não presta em sua empresa, deve ser jogado no lixo. Não perca tempo com bobagens. As exigências serão enormes e as marcas terão que ser autênticas com propósitos verdadeiros.

Ok. Fique em casa, mas vá trabalhar. Boa sorte.

 

 

Sobre a autora do artigo:

 

Simone Moura é mestre em Comunicação e Novas Tecnologias pela Universidade do Minho, Portugal. Especialista em Marketing e Comportamento de Consumo pela Fundação Getúlio Vargas e Administração de Empresas pela Estácio de Sá. Especialista em Neuromarketing e Branding pela ESPM ( Escola Superior de Propaganda). Formada pelo Instituto Prospera Coaching Ikigai. Embaixatriz Ikigai Brasil. Fundadora da Ping Pong Estratégia – empresa que desde 2010 atua na área de planejamento estratégico em comunicação, posicionamento de mercado, estudos comportamentais de consumo e gestão de Marcas (branding).

 

Atua a 25 anos na área da Comunicação , branding e estratégia. Nos últimos 10 anos estuda comportamentos de consumo e neuromarketing . Foi responsável por vários projetos de branding e posicionamento de mercado e campanhas publicitárias de grandes players nacionais e internacionais. Palestrante , atua na área de liderança de alta performance baseada em propósito e ministra cursos de mentoria para empresas e pequenos empreendedores. Idealizadora da metodologia Movimento de marcas com propósito atualmente presta consultoria para os segmentos de Tecnologia da Informação, agências de publicidade, setor da saúde, shoppings centers, construção civil, e setores de propriedade intelectual.