Por Simone Moura.

 

Desde a revolução industrial o mundo dos negócios tem se firmado pela mentalidade do capital. Fazemos negócios e direcionamos estratégias com base nas práticas de marketing que autores fenomenais e estudiosos visionários no assunto desenvolveram por décadas no século passado. Isso funcionou por muito tempo, e por ter funcionado tanto, as marcas passaram a desenvolver produtos e serviços cada vez mais similares, cujo atributos, posicionamento e proposta de valor ficaram igualmente parecidos e somando a outros fatores externos, a indústria de diversos segmentos de mercado, perderam relevância e espaço na mente de seus consumidores.

 

O fato é que as marcas esqueceram de enxergar a mutação do universo de consumidores, e as atualizações do modo de comprar e consumir. Ainda tem empresa que por ter um site bonitinho, entende que estão no mundo virtual e possuem estruturas inchadas de consultores de vendas com discursos motivacionais do ano de 1999.

   

Eu venho dizendo e escrevendo isso há pelo menos 10 anos, mas o fato é que muitas vezes na operação do dia a dia das empresas, CEO e as lideranças diretas não têm tempo para Repensar, Reformular (com base em um pensamento mais disruptivo de maneira que o mindset deixe de viver a “ zona de conforto” e permita-se evoluir para um mindset progressivo) – onde a capacidade de reavaliar oportunidades e fazer novas conexões com a própria organização, pessoas, consumidores e mercados existam de fato. É preciso ter tempo para reavaliar e é preciso pesquisar e se aprofundar.

 

Vivemos a era do conhecimento- não mais a do capital - e é por isso, que é urgente e necessário começar a prestar atenção nas pessoas; em seus hábitos e comportamentos de consumo e comportamentos culturais para que possamos reposicionar marcas e produtos a fim de que sejam mais sustentáveis, necessários de fato, assertivos e verdadeiros. As pessoas querem entender o porque que sua empresa afinal, faz o que faz. O que você faz meu amigo, tem muita gente fazendo. Era uma vez o posicionamento de mercado como conhecíamos. Não adianta continuar com o mesmo discurso. Claro que é importante determinar mercados de atuação e públicos de interesse para o seu negócio, mas não olhar atentamente para todas as mudanças do mundo e que tudo isso está impactando na maneira de se fazer (ou não fazer) negócios é decretar a morte com certeza.

 

Daí a gente vê a situação e a quebradeira ou a total estagnação de diversos segmentos que insistem em determinar um modelo único para falar com os consumidores (como se todo mundo ainda fosse igual e procurassem as mesmas coisas). Ainda vendemos apartamentos pelo M2, pelo elevador “speed”, pela localização, pelo playground, pelo maior desconto ou o condomínio grátis por 5 anos (???? )etc. Ainda vendemos hospedagem de hotel pela sua categoria ou estrelas e a proposição de valor é focada na qualidade, no atendimento e na tradição. E após o check in temos a certeza de que fizemos um péssimo negócio.

 

Será que alguém por favor poderia pensar além do que se pode ver? Que tal entender que as pessoas buscam hospitalidade e experiência na hotelaria? E que o perfil de consumidores que buscam comprar um apartamento vai além da necessidade do preço do imóvel? e que inclusive o perfil das famílias brasileiras nos últimos anos sofreu alteração drásticas ?

 

Era uma vez o posicionamento de mercado que sua empresa praticava. Negócios são feitos com o olho atento às necessidades verdadeiras e comportamentos das pessoas e se você não entende de pessoas, então, não entende mais do seu negócio.