Por Simone Moura.

 

Que estamos em processo de mutação constante, quase todos sabemos. Mas o que não estamos sabendo fazer, é lidar com as mudanças. A maioria das empresas estão tocando suas atividades na inércia. Algumas não se deram conta de que precisam mudar, porque de alguma forma pagam suas contas e colocam o dinheiro que sobra no bolso no final do mês ( ou em alguns casos ainda estão lucrando bastante com seus negócios). Mas existe algo acontecendo no mundo corporativo - seja no varejo, na indústria e no setor de serviços que “poucos” visionários estão entendendo. Não venderemos mais como antigamente e seu produto não vai mais ser vendido por si só.

 

Quando converso com empresários de setores distintos sobre a necessidade de mudança, eles dizem que já estão ”mudando” e por isso, demitiram, por exemplo, três profissionais cujo salários eram “altos” e adquiriram duas super máquinas que fazem o trabalho de cinco pessoas. Bem, o investimento em tecnologia é louvável, afinal de contas estamos vivendo a 4º revolução industrial, mas tecnologia não tem nada haver com transformação. Transformação é mudar o “mindset”.

 

Transformar significa evoluir, enxergar o futuro entendendo de verdade o que está acontecendo no presente. Mas eu tenho a sensação de que por preguiça, descrença, falta de clareza do negócio em que está inserido, falta de um propósito de marca maior do que ganhar dinheiro, falta de coerência mercadológica, medo da concorrência (que chegou e se instalou de várias formas ), superego, zona de conforto, medo, desvalorização do profissional altamente capacitado ou por falta do entendimento que os hábitos de consumo das pessoas sofreram rupturas drásticas, temos muitos negócios que num passado recente eram sinônimo de sucesso e performance de resultados, que sumirão do mapa em pouco tempo.

 

Você está achando que eu estou sendo dramática demais? Vamos aos fatos: Até o segundo semestre de 2019 as vendas de veículos cresceram 12% no Brasil, segundo a Associação dos fabricantes de veículos (ANFAVEA). Boa parte desses veículos foi comercializada pelas locadoras de carros. E vamos clarificar mais um pouco esse fato para você meu caro leitor: Esses automóveis novos (emplacados), não está indo para as garagens das famílias brasileiras, mas sim para os motoristas de aplicativos. E o que dizer do setor de vestuário dos Estados Unidos por exemplo, que cada vez mais lucram com aluguel de roupas novas e usadas, reavaliando assim, suas estruturas físicas e estratégias de custos de logística? E para tanto treinam seus melhores funcionários para oferecer cada vez mais um atendimento customizado a seus clientes.


Outro fato: Os serviços de streaming não param de aumentar suas receitas com downloads de músicas e filmes, e isso faz a indústria fonográfica comemorar records de vendas. Ou seja, o hábito de consumo das pessoas fez a indústria se reinventar. Mas ela não acabou. O setor de shopping center (afetado pela desaceleração da economia no Brasil e sucessivas quedas de vendas), inaugura cada vez mais operações de conveniência e entretenimento , recebendo assim mais frequentadores em busca de opções variadas de serviços que por consequência, compram os produtos das lojas do shopping.

 

É preciso entender que as pessoas não estão deixando de consumir e as empresas não vão deixar de vender, mas a lógica, o “negócio” e o comportamento são outros. Vivemos na era digital, mas queremos nos relacionar com pessoas que entendam de pessoas e marcas que tenham coração.


Está na hora de aceitar que existe algo maior do que apenas ter um produto bom ou ótimo que precisa ser vendido. E que dizer que sua marca tem qualidade que vai além da publicidade. As pessoas compram o que quer e quando quer. Elas precisam entender que além de ser respeitadas, estão comprando de uma marca com propósitos verdadeiros e agregação de valor. Os novos tempos exigem novas atitudes porque a mudança da mentalidade do consumidor requer das empresas uma nova dinâmica na maneira de posicionar sua marca e oferecer seus produtos no mercado. E isso vai além de ter uma missão e valores bonitos fixados nas paredes ou no crachá de sua empresa.


Adotar novas tecnologias e sistemas operacionais é salutar, mas não vai fazer sua empresa ou o seu negócio ir para frente e estar preparada para um próximo futuro que nos espera. A transformação é maior do que isso e a inovação está na simples (e desafiadora missão) que temos de ser humildes em reconhecer que não faremos mais negócios com as fórmulas saturadas do passado, e fortes o suficientes para aceitar as mudanças e encarar tudo isso de frente – com pessoas de talento, focadas no que é importante e que entendam o que sua empresa é, e o que você como líder espera de cada uma delas. Isso é transformação.