Por: Simone Moura.
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Lao-Tze, foi um filósofo e escritor da Antiga China. É conhecido por ser o autor do importante livro Tao Te Ching. Ele cita que “Uma longa viagem começa com um único
passo”. E parece mesmo que as empresas e suas lideranças terão um longo caminho para renascer pós pandemia. Mas a pergunta é: quais delas serão capazes de reconstruir seus caminhos com uma única atitude transformadora? Qual é o passomais importante a ser dado agora para garantir a sua existência sustentável depois que a COVID-19 for embora?

 


Analise o seguinte cenário: Você já pensou como seu cliente vai se comportar quando puder “voltar a caminhar” nas ruas e ir até a sua loja ou o seu escritório? Será que aquele grupo de empresários irá continuar a visitar seu restaurante semanalmente para realizar almoços de negócios? E quando for possível sonhar novamente com as viagens em família? Como iremos encarar os aviões e os quartos de hotel ? Como a população em geral irá escolher produtos e serviços ? Quais serão os atributos que
farão os consumidores optarem por uma marca em detrimento à outra? A resposta é segurança.

 


Segurança também significa confiança. E esses são dois adjetivos farão muita diferença em nossas escolhas daqui para frente. Mas vamos esclarecer logo uma coisa: não adianta você enquanto CEO (gestor) de uma empresa anunciar esses atributos para o mercado pós pandemia e dizer “em alto e bom som” que os consumidores podem confiar em sua marca, se você nunca viveu verdadeiramente esse sentimento com cada integrante de sua equipe interna.

 

Digo isso, porque a maioria dos empresários que tenho conversado, expressam sua preocupação com o “retorno” do mercado, mas poucos têm se preocupado em como sua equipe voltará. Umas das maiores autoridades em branding do mundo, Wally Olins (1930-2014) afirma que “para persuadir os de fora a comprar é preciso persuadir os dentro a acreditar”. E como líderes vamos ter mais trabalho para fazer “os nossos” a continuar a acreditar que tudo é possível.

 

Quando toda essa situação catastrófica passar, assim como o seu cliente externo de vai exigir uma outra postura de sua marca (mais segurança, mais confiança, mais respeito, mais criatividade, mais autenticidade mais inovação e conexões verdadeiras), seu time interno também vai estar mudado, e vai precisar de um grande líder. Nunca
foi tão importante você entender que também precisa quebrar paradigmas e mudar a sua forma de liderar e se comportar perante a sua organização. O modelo autoritário que é ainda difundido em muitas empresas (independente do seu tamanho), está com os seus dias contados, porque TODOS nós vamos sair dessa situação, diferentes e seremos mais qualitativos e buscaremos um equilíbrio maior para todos os níveis de nossas vidas. Inclusive refaremos nossa trajetória profissional sob diferentes pontos de vista.

 


É claro que em tempos de recessão, sua empresa vai ter que brigar por resultados de curto prazo e você vai ter que buscar esses resultados com a sua equipe. Mas não se
esqueça que você deverá rever toda a sua meta, sua postura em relação a cada objetivo de venda e deverá ter paciência em meio a dias de turbulência. E mais: você precisará desenvolver competências que muitas das vezes você vem exigindo da sua equipe sem ao menos você conseguir realizá-las. (planejamento, organização, transparência, disponibilidade, assertividade e comprometimento por exemplo). Vamos precisar de muita inspiração, muita reflexão, muita competência e visão estratégica para lidar sobretudo com as emoções de nossos clientes internos: Nossos funcionários estão com receio do futuro (e ficarão ainda mais, depois da “guerra” que estamos
travando) e se não formos líderes cooperativos, capazes de levar segurança as equipes, nossa gente vai perder o rumo com mais frequência e nossos resultados serão mais difíceis de ser alcançados.

 


A sua voz de líder não pode ser a de “comando e autoritarismo” (aquele líder que governa em sua maioria pela cultura do medo) e que geralmente impõe ideias loucas e inatingíveis (ou faz uma equipe inteira se debruçar sobre um projeto e depois não dá a mínima e nem se quer dar feedback). Muitas dessas ideias inclusive quando não resultam em sucesso, o culpado é sempre o “ outro”, porque ainda temos “líderes” inseguros, incapazes, com a auto estima em baixa e sem nenhuma inteligência emocional comandando negócios e pessoas e que vivem se esquivando das situações que não são confortáveis ou benéficas para ele próprio. Se você gosta por exemplo de criar um “climão” de competição entre sua força de vendas e com essa atitude acaba gerando um ambiente “pesado” e altamente hostil, fuja disso. Gere empatia e não a discórdia entre as pessoas.

 

 

Simon Sinek, autor do livro “Os líderes se servem por último’, dedica uma parte substancial para falar sobre as emoções que nos conectam ou desconectam do grupo e/ou do ambiente onde estamos inseridos. O autor aborda o cortisol como hormônio responsável pelo estresse e ansiedade – presente nas culturas baseadas no medo. Em oposição ao cortisol, Sinek fala sobre a seratonina e ocitocina batizados por ele de “substâncias químicas altruístas”, hormônios que são responsáveis por manter forte o “Círculo de Segurança.”. A seratonina e a ocitocina fazem com que nos sintamos valorizados quando estamos na companhia daqueles em quem confiamos, dando-nos a sensação de pertencimento e inspirando-nos a querer trabalhar pelo bem do grupo. Se as pessoas de uma organização se sentirem seguras umas com as outras, vão trabalhar juntas e realizar coisas que nenhuma delas conseguiria realizar sozinha.”

 

 

O tempo agora é de unir os melhores talentos de diferentes expertises e reaprender as coisas. Vá buscar essa transformação urgente. Corra muito e corra na frente para
construir outros alicerces com sua equipe de trabalho. Aliás, se puder faça como Santos Dumont (o pai da aviação) que nos ensinou que “as coisas mais bonitas são
vistas de cima”. Seja águia e reitere o seu compromisso de liderar sendo inspiração para os outros. Não seja um disseminador de intrigas e de ameaças. O mundo já nos
traz muitos perigos e fatores externos que não podemos controlar. Veja bem: não temos controle sobre as tempestades, os tsunamis, os desastres, os incêndios, as tragédias naturais e as pandemias, mas podemos gerar em nossa empresa uma cultura justa, participativa e de prosperidade para que as pessoas que trabalham conosco se sintam acolhidas pelos seus líderes.

 


Não finja ser um líder. Se você não consegue liderar, vá embora. Ache outra pessoa que naturalmente consiga ter a visão profunda e sistêmica que você não consegue ter e não seja egoísta. Liderança não é sobre ter poder. Liderança é saber servir. O SER será muito mais importante do que o TER.

 

 

Tammy Erickson, especialista americana em comportamento, escreveu em seu artigo “Meaning is the new money”, que o trabalho no mundo atual gira em torno da
colaboração simultânea dos indivíduos por um bem comum. Isso só acontecerá se todos estiverem engajados no desenvolvimento da organização.

 

 

Engajar não é tarefa fácil, mas quando temos propósitos claros e uma liderança forte que sabe delegar em prol do crescimento de todos é menos complexo. E daí nasce outro desafio pós pandemia: Temos que evoluir nossa maneira de ser e pensar nossos negócios daqui pra frente. Existem empresas que não vão conseguir crescer
absolutamente nada se continuarem a “chefiar” funcionários como há 50 anos atrás. O ser humano evoluiu e os novos talentos – ou os millenials ou os nativos digitais - por exemplo, buscam outras inspirações além de um salário no fim do mês.
Grandes líderes, lideram grandes pessoas e empresas medíocres continuarão a ter “chefes e empregados” sem relevância. Gere confiança envolvendo seu melhor time
para participar da construção do novo mundo que estar por vir e aprenda a delegar e a ouvir os outros, para criar conexões saudáveis e transparentes. O resultado vai chegar.

 

Sobre a autora do artigo:

 

Simone Moura é mestre em Comunicação e Novas Tecnologias pela Universidade do Minho, Portugal. Especialista em Marketing e Comportamento de Consumo pela Fundação Getúlio Vargas e Administração de Empresas pela Estácio de Sá. Especialista em Neuromarketing e Branding pela ESPM ( Escola Superior de Propaganda). Formada pelo Instituto Prospera Coaching Ikigai. Embaixatriz Ikigai Brasil. Fundadora da Ping Pong Estratégia – empresa que desde 2010 atua na área de planejamento estratégico em comunicação, posicionamento de mercado, estudos comportamentais de consumo e gestão de Marcas (branding).

 

Atua a 25 anos na área da Comunicação , branding e estratégia. Nos últimos 10 anos estuda comportamentos de consumo e neuromarketing . Foi responsável por vários projetos de branding e posicionamento de mercado e campanhas publicitárias de grandes players nacionais e internacionais. Palestrante , atua na área de liderança de alta performance baseada em propósito e ministra cursos de mentoria para empresas e pequenos empreendedores. Idealizadora da metodologia Movimento de marcas com propósito atualmente presta consultoria para os segmentos de Tecnologia da Informação, agências de publicidade, setor da saúde, shoppings centers, construção civil, e setores de propriedade intelectual.